SÃO FÉLIX DE CANTALÍCIO – 18 de maio

São Félix de Cantalício

São Félix de Cantalício

São Félix desenvolveu sua atividade em Roma no século da reforma protestante, juntamente com vários outros santos: Inácio de Loyola, Francisco Borgia, Luís Gonzaga, Pio V, Carlos Barromeu, Filipe Neri, Camilo. Todos conheciam e amavam o santo esmoleiro que era uma característica das ruas de Roma. São Félix pertencia ao mais novo ramo da família franciscana, a Ordem dos Capuchinhos, podendo ser definido como a personificação do primitivo espírito franciscano: pobre, sempre com a mente em Deus e cheio de amor seráfico.

Nasceu de uma família humilde de lavradores do Vale do Reatino. Ainda jovem ouviu o chamado de Deus, ao qual não respondeu. Depois de um acidente quase mortal ocorrido no trabalho da roça, decidiu-se e assim, com quase 30 anos, ingressou na Ordem dos Capuchinhos para seguir o Crucificado na rigorosa vida franciscana.

Desde o começo foi um frade enamorado da pobreza franciscana e em sinal disso, vestiu um saco como batina até idade avançada; não usava sandálias e, às vezes, os pés deixavam rastros de sangue nas ruas de Roma que o viram todos os dias, durante quarenta e dois anos, com um saco nas costas pedindo esmolas para o convento. Observava rigorosos jejuns, comendo apenas alguns peda­cinhos de pão e acrescentava cruéis flagelações noturnas. Com tudo isso, era a humildade e modéstia personificadas; se definia o jumento do convento.

Vivia a verdadeira pobreza franciscana dos primeiros tempos: desapegado de tudo aquilo que não fosse Deus e não levasse a Deus, para ser disponível a uma plena união com Ele. A sua vida, desde o noviciado, foi um modelo de oração. Passava nas ruas da cidade eterna com os olhos ao chão, o terço na mão e o coração no céu.

A todos respondia: Graças a Deus.

Depois do duro trabalho do dia, concedia-se somente uma miserável refeição e duas horas de descanso. Passava o resto da noite entre penitência e orações. Penitência pelos erros e pecados encontrados durante o dia e oração por aqueles que se tinham recomendado a ele. Ficava horas e horas diante do sacrário, meditando os mistérios da Encarnação e da Paixão do Senhor. Dizia sempre: “Conheço somente seis letras, cinco vermelhas e uma branca;  as vermelhas são as chagas do meu Senhor e a branca, as alegrias da Mãe do Senhor”.

Pela manhã ajudava nas missas e a Comunhão o ajudava a preparar-se para o novo dia de trabalho. Assim alimentado, expandia pelas ruas de Roma o amor de Deus e ao próximo; todos gostavam dele e para todos dizia uma boa palavra; admoestava, corrigia e aconselhava cardeais,  príncipes, comerciantes e trabalhadores, pobres e ricos, crianças e velhos; Bispos e prelados beijavam-lhe as mãos, sacerdotes e religiosos recomendavam-se às suas orações. O futuro papa Sixto V pedia-lhe um pedaço de pão e o comia em casa com todo respeito. Admirável mesmo era sua amizade com São Filipe Neri: se abraçavam no meio da rua e bebiam do vinho oferecido como esmola. Era como se nas ruas de Roma passasse o pobrezinho de Assis.

O humilde irmão capuchinho foi um dos reformadores da cidade eterna; devemos a ele se a jovem reforma capuchinha conseguiu superar aquele período difícil que Bernardino Ochino deixou a Ordem.

São Félix faleceu em 1587 durante o capítulo geral; foi beatificado em 1625 e canonizado em 1709. São Félix nos deixou a lição do primitivo espírito franciscano – amor à pobreza, união com Deus e caridade franciscana.

Fonte: Capuchinhos No rastro de São Francisco de Assis, F. Aligi Quadri, Vice-Província Capuchinha do Maranhão, Pará e Amapá, 1992.