Nasceu no povoado de Láconi, na ilha de Sardínia, no ano de 1701, filho de agricultores, que com dificuldade sustentavam nove filhos.
Foi criado sem instrução escolar, mas, desde cedo foi encaminhado pela mãe na sabedoria dos santos e no amor à Mãe do Céu. Jesus presente no sacrário e Maria serão por toda sua vida os dois grandes amores de seu coração.
Como era o mais velho dos irmãos, trabalhava com o pai na roça e acrescentava ao sacriffcio do trabalho, jejuns e penitências. Aos vinte anos entrou na ordem dos frades menores capuchinhos, cumprindo assim uma promessa feita por ocasião de uma grave doença.
Durante o noviciado viveu com fervor o silêncio, a observância fiel de todas as austeridades; a prontidão no trabalho, a humildade, a simplicidade e a caridade para com os irmãos, eram sinais da genuinidade do seu espírito de penitência e oração.
No final do noviciado surgiu porém uma dificuldade: como enfrentar por toda a vida as austeridades da vida capuchinha, em virtude da saúde fraca? Porém, Frei Inácio alcançou de Nossa Senhora uma grande graça e, assim, pôde fazer a profissão e consagrar sua vida a Deus.
Seguiram-se vinte anos de fiel cumprimento do dever preparando-se para a tarefa de irmão esmoleiro na capital da ilha, tarefa pesada e de muita responsabilidade. Por quarenta anos repetiu-se naquela cidade um maravilhoso e exemplo de humildade e de alegria franciscana, que São Félix de Cantalício tinha dado em Roma. Frei Inácio fez deste trabalho um verdadeiro apostolado que produziu muitos frutos.
O trabalho do dia era sustentado pela oração e penitência que fazia durante as noites, e também, praticando as mais severas mortificações. Deus selou com dons extraordinários o seu humilde servo, para a salvação e em benefício dos homens.
Os dons dos milagres e da profecia acompanhavam cada passo deste humilde frade.
Pode ser considerado um dos grandes taumaturgos da história da Igreja. A vida do nosso santo foi o comentário e a demonstração concreta desta sentença: A soma de toda a sabedoria é temer e amar a Deus.
Seu testemunho e exemplo de vida são um incentivo para todos aqueles que, como ele, foram chamados a serem irmãos: o que dá valor ao trabalho manual ou intelectual de cada dia, também ao mais simples, é o Amor.
Torna-se admoestação para os sacerdotes e cléricos que têm o dever de estudar: a sabedoria nada vale se não se transformar no Amor de Deus.
Fonte: Capuchinhos No rastro de São Francisco de Assis, F. Aligi Quadri, Vice-Província Capuchinha do Maranhão, Pará e Amapá, 1992.
